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Olimpíada: valeu a pena?
Sempre vale como confraternização. Não aprecio muito como competição, como medição de forças, para mim é triste ver todos aqueles meninos dando mais do que o seu corpo suporta para resultar finalmente numa grande frustração. É evidente que todos vão para ganhar, mas os primeiros lugares são só três em cada modalidade e os concorrentes são muitos, então o resultado é fácil de imaginar, poucos alegres para muitos tristes. Triste mesmo é reconhecer que o esporte em si é muito salutar em todos os sentidos. Produz otimismo e alegria, além de boas amizades. Apesar desse fundamento, o brasileiro tem um péssimo vicio. Só serve se o premio for medalha de ouro, as outras são desvalorizadas, sendo que muitas vezes a diferença de desempenho do primeiro lugar para o segundo é irrisório...Olhando para as meninas do futebol que, diga-se de passagem, são ótimas, dava pena de ver tanto sofrimento desperdiçado, isso acontece porque trata-se de um jogo onde também entra o fator azar, o dia não foi propicio para elas e é coisa que é muito comum em qualquer esporte. Ninguém é imbatível em nenhum aspecto da vida. Vocês repararam como atletas de outros países estavam sorrindo felicíssimos com medalha de bronze? Um atleta que vai disputar uma olimpíada sofre muito, ele se estressa até o máximo que um corpo agüenta, não se pode exigir tanto de um povo como o nosso onde o atleta se não tiver um bom patrocínio, tem que trabalhar durante o dia para chegar de noite, já cansado e dar uma escapadinha no ginásio de esportes para treinar. Esse contexto é muito cruel. Essa questão de não aceitar como resultado outro lugar a não ser o primeiro é visto de maneira diferente, por exemplo, na Europa. Até na musica, a visão é diferente. O musicista não precisa tocar num teatro para ser valorizado, basta ele parar numa esquina com o seu violino ou harmônica e junta gente apreciando, batendo palmas e contribuindo com uns trocados. Não pensem que o musico sente-se inferior aos outros, muitos vivem disso como qualquer outro trabalhador... Voltando às olimpíadas, gostei muito da declaração do nadador Cielo que humildemente contou quantos fracassos ele sofreu, quantos anos ele passou treinando até chegar à medalha de ouro. É muito sofrido chegar lá, precisa suor, lagrimas e sorte, sim, porque mesmo num esporte individual pode acontecer que naquele dia ele está indisposto e não rende o necessário. Basta observar as expressões de dor no rosto de todos eles, aquele esforço tremendo para na maior parte das vezes nadar muito e morrer na praia. Gente, e o que aconteceu com a nossa seleção de futebol masculino? Tirando o azar daquele dia onde as bruxas deviam estar soltas, aconteceu o inexplicável. O que houve com o Ronaldinho? Até eu que não gosto de futebol (como a maioria das mulheres), assistia aos jogos onde ele me lembrava muito o Garrincha dos bons tempos com o mesmo entusiasmo, talento e rapidez. Fiquei sem entender aquela apatia que já vem se manifestando há um bom tempo. Assisti a um comentário na televisão onde explicavam que ele se deixou deslumbrar pelo dinheiro e pelas homenagens e entrou na rotina das noitadas e dos excessos que estragam qualquer pessoa, que mesmo simples e bom caráter como sempre foi, se deixou levar pelo canto da sereia. Fico torcendo para que ele retome o brilho anterior e consiga voltar a ser aquele menino de ouro do começo da carreira. Para terminar peço desculpas aos meus leitores porque entrei num assunto que eu não domino, mas precisava desabafar tudo que eu senti assistindo às olimpíadas.
DIRCE PUCCI
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