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Confira os artigos da edição 498 do Jornal da Economia

Barack Obama e a era pós-racial

Para compreendermos a importância da vitória de Barack Hussein Obama, precisamos nos recordar de alguns acontecimentos históricos dos Estados Unidos da América.

Primeira colônia americana a conquistar a Independência (1776), os Estados Unidos adotaram, de cara, um sistema político avançado para aquele período: a república presidencialista. No entanto, a escravidão, prática comum em toda a América, persistiu por muitos anos.

No século XIX, a escravidão expandiu-se, principalmente, nos estados do sul, região caracterizada pela agricultura, desenvolvida nos latifúndios (sistema de plantation). Nos estados do norte, prosperou a atividade industrial, adotando a mão-de-obra assalariada.

Com o desenvolvimento acelerado do setor industrial nos Estados do norte, cria-se a necessidade de se ampliar o mercado consumidor. Neste momento, a escravidão do sul passa a ser vista pelo norte como um empecilho ao crescimento do país. Sem acordos entre si, sul e norte travam uma guerra civil denominada Guerra de Secessão (1861-1865).

Vencida pelo norte, durante o conflito, o presidente Abraham Lincoln, o Grande Libertador, determina o fim da escravidão em todo o país. Muitos Estados do sul não aceitam esta determinação e criam organizações secretas - sendo a Ku Klux Klan a mais conhecida - para perseguir, torturar e até mesmo matar os negros. A segregação e o preconceito racial estavam instituídos.

Embora a escravidão tenha sido abolida em 1863, diferentes Estados e a Suprema Corte instituíram e legitimaram diversas leis separatistas que criaram, em algumas regiões, dois mundos: um para o branco e outro para o negro. Com isso, os negros nasciam em hospitais segregados, estudavam em escolas segregadas e eram enterrados em cemitérios separados.

Esse cenário só começou a mudar nos anos cinqüenta quando a Suprema Corte determinou a integração de brancos e negros nas escolas do sul. Em outras palavras, os negros poderiam freqüentar as escolas “dos” brancos. A partir desse momento, a luta dos negros estadunidenses se intensifica por direitos iguais (os chamados direitos civis). Alguns ativistas destacam-se nesta luta, especialmente o reverendo Martin Luther King. Em 1964, o presidente Lyndon Johnson assina o Ato de Direitos Civis que torna ilegal qualquer tipo de segregação nos Estados Unidos.

Apesar da significativa vitória, a luta pelos direitos humanos tem uma baixa, Luther King é assassinado. Era, de certa maneira, a resposta que os segregacionistas transmitiam aos defensores da igualdade jurídica.

Na década de setenta, pressionado pelos diferentes movimentos negros (moderados e radicais) o governo estadunidense cria as Políticas de Ação Afirmativa, política pública que objetiva integrar o afro-americano na sociedade por meio de medidas como cotas nas universidades e no serviço público. Dessa forma, nos últimos anos, os estadunidenses negros conseguiram conquistar importantes espaços na sociedade.

Esses avanços, entretanto, não impediram a discriminação e o preconceito racial de parte da população (especialmente entre os moradores do sul e do interior dos Estados Unidos). Infelizmente, é comum no noticiário daquele país cenas de preconceito racial praticado, principalmente, pelos policiais brancos contra os negros.

Questionam-se as possíveis e futuras realizações do governo Obama (arrogantes e precipitados já estão decretando que não dará certo), no entanto, sua vitória, dentro do quadro apresentado acima, já foi um grande feito podendo, inclusive, estar inaugurando um novo período histórico - denominado por alguns de “era pós-racial”. Período no qual, como sonhou Luther King, o ser humano será valorizado pelo seu caráter e não pela cor da sua pele.

Rogério de Souza

Sociólogo e professor

 

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Então abra as asas e voe

Inúmeros são os exemplos de superação com os quais nos defrontamos ao longo dos dias. São cegos que tocam maravilhosamente bem seus instrumentos musicais, deficientes físicos que criam ferramentas sofisticadas no campo da informática, idosos que desenvolvem atividades físicas e intelectuais diferenciadas, viciados que transformam suas vidas e constroem novas realidades. Assim, se formos relacionar exemplos precisaríamos de tempo e paciência.

Diante desse cenário o que nos espanta é inverso dessa situação que soma pessoas que vivem a sonhar, a desenvolver projetos, a falar com seus botões sem pensar nas possibilidades reais e nos riscos que as cercam, não amadurecendo suas propostas, não definindo focos, esquecendo-se da importância do planejar, não se dispondo a enfrentar de maneira efetiva e persistente as dificuldades com que convivem e irão conviver. Há que se considerar que a realização de qualquer tipo de atividade diferenciada ou não implica necessariamente em um pensar antes, no imaginar os resultados, no estar preparado para alterar rumos e corrigir decisões assumidas, no aceitar a presença de erros e prejuízos.

Temos de entender definitivamente que não existem soluções únicas para problemas parecidos se admitirmos o contrário devemos aceitar a idéia de que medidas únicas e globais seriam capazes, por exemplo, de solucionar a atual crise financeira. Um verdadeiro despropósito, pois este raciocínio não considera as características de cada país ou região. O mundo atual coloca em destaque,a importância do aumento das competências individuais. Contracenando essas idéias com as realidades atuais–crise, inseguranças e incertezas – ao mesmo tempo em que demonstra a existência de um estado de espírito repleto de pessimismo, o qual alimenta diversas camadas da sociedade e conduzindo-as de um modo quase irracional para a aceitação de um contínuo de más notícias.

Esse é efetivamente um momento que ao mesmo tempo envolve reflexão e coragem. Reflexão para entender o que está ocorrendo e perceber as reais dimensões das questões que estão sendo enfrentadas; coragem para assumir posições mais agressivas e criativas as quais serão capazes de construir um novo indivíduo, uma nova organização e uma nova realidade social e política. Situações, aparentemente novas para muitos, as quais são incapazes de indicar em si mesmas as possíveis soluções, deixando, no entanto antever a importância da capacidade criadora.

A soma dessas horas nos faz lembrar que o sucesso, segundo Albert Einstein, “só vem em primeiro lugar no dicionário”, portanto sonhe, trabalhe construa, suba no alto da montanha, e então abra as asas voe.

 

Francisco Sacramento é Mestre em Administração pela UMESP, administrador graduado e pós-graduado pela FGV-SP, professor da FAC São Roque, do Centro Universitário Nove de Julho, estudioso do desperdício é autor de diversos artigos. email: f.sacramento@uninove.br

 

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E o mundo amanheceu feliz...

 

Não me envergonho de dizer que chorei com o resultado das eleições americanas, assim como boa parte dos americanos o que é coisa rara porque eles não são dados a demonstrações emotivas, como nós. Então, o que aconteceu? Simplesmente eles perceberam a promessa de uma era mais liberal, despreconceituosa e verdadeira de viver. Vivi num tempo em que os americanos desprezavam os negros ao ponto de proibir a sua entrada na maioria dos clubes e restaurantes freqüentados pelos brancos  sem falar na perseguição da odiosa Ku Klux Kan que não permitia que eles tivessem uma vida normal. Recentemente soube que, na década de 40, Duke Ellington uma pessoa finíssima que regia uma famosa orquestra, só podia hospedar-se nos guetos das cidades onde se apresentava porque não era aceito nos hotéis onde poderia tranqüilamente pagar a diária. Sammy Davis Junior o ator e cantor famoso juntamente com Frank Sinatra e Dean Martin ajudaram muito na campanha de John Kennedy e no fim ele não foi convidado para a festa de posse na Casa Branca por estar cometendo o grande pecado de estar namorando a belíssima Kim Novak, na época uma afronta para a sociedade branca. Isso sem falar no episódio triste e ridículo que aconteceu com a cantora Dorothy Dandridge. Ela estava hospedada num hotel de Las Vegas e nadou na piscina do hotel. Pois bem, o hotel mandou esvaziar e lavar a piscina para que os brancos não se “sujassem” ao tomar banho ali. Isso foi contado pelo Ruy Castro, que sabe das coisas. Sem falar que um negro ao tomar um ônibus teria que sentar nos últimos bancos. Alem disso entre outras atitudes ridículas e horríveis um negro não poderia olhar um branco nos olhos sem risco de ir preso. Confesso que lavei a alma junto com os negros, nunca pensei que fosse presenciar uma mudança dessas na minha vida. Consigo ver um futuro de justiça e igualdade entre os seres humanos que só aprendemos desgraçadamente no sofrimento e na dor. Para mim a ótica mais importante desse acontecimento é a parte humana. Só isso já dá esperança de um mundo sem obscurantismo, onde vamos querer conviver com pessoas de caráter, sem nos ligarmos á coisas externas que não tem a mínima importância. Olhando a situação política não acredito que o Obama  possa fazer grande coisa começando o seu mandato numa fase péssima, com uma crise financeira que vai demandar tempo para ser resolvida, com a estúpida guerra do Iraque e do Afeganistão. Para mim os problemas do Oriente Médio são como briga de aranha com siri e polvo; nem eles se entendem, o que tem que fazer gente de fora ali? Tem a quantidade de ilegais tirando o emprego dos nativos, tem a prisão de Guantanamo que deverá ser extinta sem ferir os brios dos americanos, tem o costume de um povo que está acostumado a gastar mais do que pode. Tem a má vontade do mundo que sempre se sentiu prejudicado, principalmente os emergentes considerados como o quintal do mundo, e assim e “otras cositas más” servem para se transformar numa grande dor de cabeça que ele vai enfrentar. Tomara que ele tenha a força necessária para vencer tudo isso. É o que o mundo espera! 

Falemos de coisas mais amenas: Outubro é sempre um mês de homenagear as pessoas mais importantes da sociedade. Quero dar o meu sincero parabéns atrasado aos médicos, dentistas e professores, profissionais indispensáveis á sociedade. Peço licença para citar nomes e deixar aqui meu abraço agradecido ao amigo, Dr. Edson de Barros Santos que trata de mim equilibrando meu organismo com a homeopatia porque na minha idade isso já é de bom tamanho. Um outro abraço agradecido ao dentista que tratou de mim por mais de trinta anos. Falo do Dr. Zolmo de Oliveira um profissional que sempre me atendeu com carinho e educação. Que a sua aposentadoria seja de pleno aproveitamento e muita saúde!

 

DIRCE PUCCI

e-mail: dircepucci@yahoo.com.br       

blog: www.batendopapocomdirce.zip.net

 

data: 14/11/2008



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